Nós, as assistentes, não temos de aguentar tudo

Somos duas assistentes que, no ano passado, decidimos agir contra as insuportáveis condições de trabalho da nossa unidade Spitex.

Trabalhar na assistência, fazer visitas domiciliárias aos pacientes e cuidar dos mesmos é algo que exige muito de nós. Posso dizer que todas nós queremos estar disponíveis para as nossas pacientes, de coração aberto. Contudo, para isso, precisamos de condições de trabalho dignas. Há muita desordem na nossa unidade Spitex, especialmente após a fusão de várias comunidades numa única. De repente, passamos a ter de prestar cuidados a mais pacientes, os trajetos tornaram-se mais longos e o planeamento operacional ficou mais complicado. O tom da direção para com o pessoal da assistência esteve longe de ser respeitoso. Poder-se-á dizer que a direção passou os desafios da fusão para os ombros das colaboradoras. Muitas de nós, na equipa de assistência, não aguentaram mais e tiveram um esgotamento, várias procuraram outro emprego e demitiram-se. Isto fez com que houvesse uma mudança significativa na equipa.

Contudo, chegámos a um ponto em que atingimos o nosso limite e juntámo-nos. Entrámos em contacto com a Unia. Éramos cerca de 14 mulheres, que decidiram agir, algumas delas antigas trabalhadoras.

Juntas, trouxemos a nossa história a público e iniciamos uma petição para que as condições de trabalho finalmente mudassem. Mais de 400 habitantes da comunidade mostraram o seu apoio às nossas reivindicações com a sua assinatura na petição. Muitas das pessoas que assinaram eram familiares de pacientes que tratamos. Isso deixou-nos incrivelmente felizes, ao percebermos que as pessoas valorizam o nosso trabalho diário com os seus familiares.

O nosso empenho recompensou-nos: Conseguimos que a gestão de turno da nossa secção finalmente respeitasse os tempos de descanso legais e agora existe um novo modelo de turnos. A distribuição de documentos agora também está regulada de modo a respeitar as exigências legais. Sendo totalmente honesta, na direção ainda estão os mesmos chefes, que não são das pessoas mais calorosas do mundo. Contudo, ficaram a perceber que nós, as trabalhadoras, não temos de aguentar tudo e isso conta.

Em suma: “Nós, as assistentes, não temos de aguentar tudo. Sabemos defender-nos!”

Simone*

Marianne*